Bertioga
- Funcionários de Instituições de Longa Permanência de Idosos (ILPI) de Praia Grande estão participando de capacitação sobre boas práticas em manipulação de alimentos. O curso, promovido pela Divisão de Vigilância Sanitária, dá ênfase à nutrição de pessoas na terceira idade. Trata-se da última etapa do projeto de avaliação nutricional dos cardápios de asilos e casas de repouso. A iniciativa incluiu visitas técnicas às instalações e até degustações. Os técnicos acompanharam cada etapa do preparo dos alimentos, detectando e alertando sobre eventuais falhas no manuseio dos produtos e a composição e oferta das refeições.
Iniciado no último dia 21, o curso envolve cinco aulas ministradas às sextas-feiras, das 15 às 17 horas, na cozinha experimental da Secretaria de Promoção Social (Sepros). "Esse treinamento é completo, concretizando a solução em benefício da população idosa institucionalizada. Esse é o papel da Vigilância Sanitária: prevenção de doenças, proteção e promoção de saúde", destaca o chefe da Divisão de Vigilância Sanitária, Luis Carlos Marono.
Nas aulas, os participantes aprendem a preparar refeições mais nutritivas, atraentes e econômicas, valendo-se de alimentos funcionais e aproveitando partes que costumam ser descartadas. "Além de orientar os profissionais das ILPIs sobre nutrição e manipulação de alimentos, abordamos a legislação que trata do assunto (RCD 216/04) e até outros temas, como desinfecção de aparelhos, como o de inalação, dentro do tema de higiene", acrescenta.
Pelo projeto iniciado em julho, a Vigilância Sanitária verificou o Índice de Massa Corpórea (IMC) dos idosos institucionalizados e apontou os casos de maior risco para desnutrição. Mas estar abaixo do peso não é sinônimo de negligência no atendimento, adverte Marono. Segundo ele, outros fatores influenciam no apetite e peso, a exemplo de doenças, certas medicações e até mesmo questões emocionais.
Peculiaridades - Envolvida no projeto, a nutricionista Maria Cristina Sousa Fouquet salienta que a alimentação de idosos apresenta peculiaridades. Fatores decorrentes da fragilidade orgânica, como perda de paladar e falta de dentes, devem ser considerados. "Muitos precisam de auxílio para comer", revela. "Não se pode oferecer um bife grelhado, mas uma carne cozida e bem desfiada, que facilite a mastigação. Não precisa ser tudo líquido."
Por outro lado, não se pode descuidar da apresentação visual. "Deve-se evitar a monotonia de cores. O prato tem de ser colorido. Se oferecer purê, arroz e chuchu, fica tudo muito branco", ilustra.
Outra dica da profissional é oferecer refeições fracionadas, em menor quantidade e com mais freqüência. Hidratação constante evita problemas de saúde. "Água é indispensável, tanto pura quanto em forma de chás, sucos, leite. E é preciso oferecer, porque muitas vezes eles não pedem. Quando sentem sede, o organismo já está prejudicado." |